Por Sempre Andar

17/04/2010

Por sempre andar, andar – sem nunca parar – pequenas coisas vão ficando pra trás. O desejo de aprender ficou na segunda escola. O seda da pele numa mesa de trabalho. A inocência para amar na terceira desilusão. A melodia das palavras no ruído do avião. O brilho do olhar em algum ponto do caminho. A vontade de abraçar no vício de ficar sozinho: solitário desde então.

Por sempre andar, andar – sem nunca parar – pequenas coisas vão ficando pra trás.

Tudo foi se desprendendo. Levado pelo vento. Eu sou o que chegou ao fim. É assim que eu me apresento com o que sobrou de mim.

(Por Sempre Andar é música de Herbert Vianna)

Scream poetry

19/11/2009

Digamos que tem muito tempo que eu não sei o que é ficar em casa de noite. Chegar da rua e ver novela. Falar ao telefone deitada na cama. Ouvir as músicas velhas que me completam e me fazem feliz há muitos anos. Fazer as coisas tradicionais, de sempre. Hoje estou assim (mas logo já vou sair de novo).

Eu posso sentir o que a paixão faz em segundos. Eu posso sentir o que o amor fez em questão de anos. Eu gosto de sentar nos telhados pra ouvir o que as casas dizem ao meu redor. Grite poesias. Scream poetry. A febre de um sábado azul, te esquiva do teu próprio coração. O que eu posso ser pra você? O primeiro homem a pisar no sol… só pra ver o gelo da dor derreter.  Eu trago um anjo nos braços, e outro no coração. Sempre atrasada, sempre iludida. O tempo, os homens, a marca de noites e dias mal vividos, nada disso te perdoou.  Tudo está no lugar em que não devia. Dias são iguais. Um estranho no espelho, eu quase não me conhecia. Não há do que reclamar, tudo caminha… E as horas passam devagar num ônibus de linha.

Ver você, é ver na escuridão.

eu gosto de subir nos telhados porque eu consigo ver o mundo melhor

Pensar que tudo isso vem do disco Hey na na (dos Paralamas) que escuto há mais de dez anos. O que muda em dez anos?

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